Lema da Central Musical: Anos 80

Não é necessário gostar de tudo, mas por que não conhecer? - Uma audição crítica de todos os álbuns lançados na década de 80.

Splendido Hotel - Al Di Meola

14 de out. de 2010 comentários

O que é isso?



Ficha corrida do cara:
Nome completo: Al Di Meola
Nacionalidade: estadunidense
Período de atividades: 1974 até hoje
Site oficialhttp://www.aldimeola.com/new-site/index.php
Estilo/Gênero: Jazz, Soul, Rock/Jazz Fusion, Gypsy Jazz, Latin Jazz, Funk, R&B, Rock Progressivo
Álbuns (carreira solo): 31 até o momento
Line-up do disco: Al Di Meola (guitarra, violão, mandocello, percussão, teclado, bateria, vocais), Les Paul (guitarra), Anthony Jackson (baixo), Tim Landers (baixo), Chick Corea (piano), Philippe Saisse (teclado, marimba, vocal), Peter Cannarozzi (sintetizador), Jan Hammer (sintetizador Moog), Robbie Gonzales (bateria), Steve Gadd (bateria), Mingo Lewis (percussão), Eddie Colon (percussão), David Campbell (violino), Carol Shive (viola), Dennis Carmzyn (violoncelo), Raymond Kelley (violoncelo), The Columbus Boychoir (backing vocals)

Splendido Hotel (1980) - Ouça aqui o disco completo!




Cotação da crítica especializada:
All Music Guide (0 a 5): 5

Sobre o disco:


Depois de ser severamente criticado por seus primeiros álbuns solo, Al Di Meola resolveu se reciclar e aprofundou o estudo musical para a música latina e o rock, dessa forma, aperfeiçoou suas técnicas de fusion jazz e tornou-se um dos músicos mais influentes desse gênero. É bom que se diga que o senhor Di Meola sempre foi reconhecido como um exímio guitarrista, as críticas incorriam ao fato de ele ser extremamente técnico e virtuoso em detrimento da expressividade e interpretação.

O disco que ouvimos hoje teria tudo para ser considerado uma colcha de retalhos, pois cada faixa trás um ritmo diferente, as vezes vai ao flamenco, outras ao rock progressivo, jazz fuision, baladas, etc. Porém, a desenvoltura com que cada faixa é composta e executada, nos faz notar quanta intimidade tem esse grande músico com essa rica diversidade. É um disco pretensioso e arriscado, mas o resultado final é grandemente satisfatório, serve como referência para compositores e guitarristas de fusion e rock progressivo até hoje, um clássico!

Guitarra modelo Les Paul
Ressalto as colaborações no álbum do veterano guitarrista Les Paul (sim, foi ele que inventou aquela guitarra...) e de seu ex-colega da banda Return to Forever, o considerado por muitos o melhor tecladista de todos os tempos, Chick Corea (saiba mais sobre ele nas leituras relacionadas), além de uma prestigiada seleção de músicos de estúdio.

O disco nos remete a uma verdadeira viagem sonora que passa por diversas formas musicais, beira a genialidade - recebeu cotação máxima da crítica. Minha aposta é que sua audição agradará principalmente aos guitarristas e aos fãs de rock progressivo.

Leitura relacionada:



Se você nunca ouviu o cara...


Um virtuose da guitarra, um dos caras mais rápidos do mundo, considerado o quarto melhor guitarrista do planeta pela revista Guitar Player.

De formação acadêmica, é muito mais que um monstro da guitarra: é um grande compositor que consegue transitar com eficiência e arte em vários estilos musicais. Uma das referências para quem gosta de guitarra, rock progressivo e fusion jazz.

Diversidade da Internet X Mentes Fechadas

13 de out. de 2010 comentários: 2

Diante de um feriadão como esse de Nossa Senhora/Dia das Crianças, aproveito o tempo para escrever aqui mais um artigo de opinião.

Agora, no início do século XXI - a "Era da Informação" - vivemos um paradoxo: enquanto temos uma enorme diversidade de informações que nos são disponibilizadas pela Internet, existe um sem-número de pessoas, a grande parte eu diria, que vive com sua mente isolada em seus padrões já pré-estabelecidos e, uma das matérias em que isso mais se vê é a musical.

Um exemplo disso é a enorme quantidade de blogs sobre esse tema que vemos na rede, muitos se dizem blogs sobre música, mas na verdade são blogs sobre um determinado gênero musical, é muito difícil achar um blog que fale de música de fato, ou seja, um que fale sobre o assunto de forma ampla, abrangendo o tema em si de forma genérica, e procurando abraçar todos os estilos indiscriminadamente.

Penso que as razões sejam primariamente duas: uma é que seus autores têm a predileção por apenas um estilo musical e simplesmente ignoram os outros, e o segundo e talvez mais importante, é que a maioria dos leitores buscam blogs que tratam apenas daqueles estilos que vão ao encontro de seus padrões musicais. Devido a este segundo motivo, concluo que é um negócio de altíssimo risco manter um blog efetivamente sobre música, pois muitos dos leitores aproveitarão somente um pequeno percentual do que é postado, diminuindo o interesse e até causando o abandono do blog.

O curioso disso tudo é que hoje em dia, o volume e a pluralidade de informações disponíveis na Internet, poderia motivar as pessoas a diversificar e ampliar seu conhecimento, no entanto, o que muitas pessoas querem não é nada além do que mais do mesmo, e ainda assim conseguem ser incoerentes com suas próprias convicções, por exemplo: existe um grande número de amantes do rock que torcem o nariz e nem querem ouvir blues, jazz ou country, sendo que o rock de que tanto gostam mistura elementos destes três gêneros, o que provavelmente encaixaria perfeitamente em seus padrões estéticos sobre música (gosto musical).

Entretanto, acho que pessoas que "gostam de tudo", não gostam de nada, pois não conseguem se focar para poder se aprofundar, tornando-se sem "personalidade musical".

Veja que fui aos dois extremos: os mentes fechadas e os mentes abertas e critiquei os dois, então qual a conclusão deste texto?

Penso que temos que ter um gosto definido, porém abrangente, mas sempre dispostos a conhecer coisas que não fazem parte dos nossos paradigmas atuais para que possamos ouvi-las, refletir, para depois agregar ou descartar. Repito aqui uma pergunta que fiz em outro artigo aqui no blog chamado "Você Realmente Gosta de Música?" (veja leituras relacionadas abaixo):  "Nem tudo o que é mostrado precisa ser gostado, mas por que não conhecido?". Esse é o lema que procuro seguir tanto nos Sons, Filmes & Afins quanto na Central Musical: Anos 80, ou seja, oferecer ao meu leitor a oportunidade de conhecer e curtir MÚSICA, e não restringi-lo apenas às coisas que ele já conhece e tem afinidades. Sei que meus empreendimentos são arriscados e podem até não ser populares, mas acredito nisto como uma missão: tentar despertar uma característica natural da espécie humana que parece estar esquecida: a CURIOSIDADE.

Participe! Diga o pensa a respeito!

Abraços!
Rodrigo Nogueira

Leituras relacionadas:
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